XP revela 10 ações da B3 que nunca deram prejuízo aos investidores — o segredo por trás das empresas que atravessaram todas as crises do Brasil

Em um país marcado por ciclos econômicos turbulentos, crises fiscais recorrentes e mudanças abruptas de cenário, sobreviver no mercado acionário brasileiro exige muito mais do que sorte. Exige modelo de negócio resiliente, gestão consistente e capacidade de adaptação. Mesmo assim, boa parte dos investidores ainda olha para a Bolsa com desconfiança, especialmente em tempos de juros elevados, quando a renda fixa parece oferecer conforto imediato.

Um levantamento recente da XP Investimentos ajuda a colocar esse debate em perspectiva ao mostrar que, desde o ano 2000, um grupo seleto de ações da B3 conseguiu algo raro: nunca entregar prejuízo anual aos seus acionistas. Não se trata de promessas milagrosas, mas de empresas que atravessaram crises globais, recessões internas e mudanças regulatórias mantendo geração de valor no longo prazo.

Itaú Unibanco (ITUB4)

O Itaú Unibanco é frequentemente citado como referência de solidez no sistema financeiro nacional, e não por acaso. Desde os anos 2000, o banco construiu uma trajetória marcada por eficiência operacional, expansão consistente e forte governança corporativa, fatores que ajudaram a atravessar períodos críticos da economia brasileira.
Mesmo em cenários adversos, o Itaú mostrou capacidade de proteger margens, ajustar estratégias e preservar rentabilidade, mantendo a confiança do mercado. Seu patrimônio líquido robusto e a diversificação de receitas explicam por que o papel nunca fechou um ano no vermelho, segundo o estudo da XP.

Banco do Brasil (BBAS3)

O Banco do Brasil combina uma característica rara no mercado: atuação estatal com disciplina financeira. Ao longo das últimas décadas, a instituição passou por diferentes governos, mudanças de estratégia e ciclos econômicos extremos, sem perder relevância ou capacidade de gerar resultados.

A forte presença no crédito rural, no agronegócio e no financiamento corporativo ajudou o banco a manter estabilidade mesmo em crises. Essa base diversificada de atuação explica por que o papel figura entre os que nunca deram prejuízo aos investidores no recorte histórico analisado.

Bradesco (BBDC4)

O Bradesco é outro exemplo de banco tradicional que construiu resiliência ao longo do tempo. A instituição apostou em capilaridade, inovação gradual e forte presença no varejo bancário, o que permitiu diluir riscos e atravessar períodos de instabilidade econômica.

Apesar de enfrentar desafios recentes, especialmente com aumento da inadimplência em determinados ciclos, o Bradesco manteve histórico positivo de valorização anual. O foco em longo prazo e a adaptação contínua ao ambiente digital sustentam esse desempenho.

Itaúsa (ITSA4)

A Itaúsa funciona como uma holding de participações estratégicas, com destaque para o próprio Itaú Unibanco. Essa estrutura permite diluir riscos e capturar valor de diferentes setores, mantendo uma lógica de investimento conservadora e disciplinada.

Ao longo das décadas, a Itaúsa mostrou que diversificação aliada à boa governança pode gerar estabilidade mesmo em ambientes macroeconômicos hostis. O resultado é um histórico raro de anos sempre positivos para o acionista.

Telefônica Brasil (VIVT3)

A Telefônica Brasil, dona da marca Vivo, atua em um setor essencial, com demanda relativamente previsível. Mesmo diante de crises econômicas, serviços de telecomunicações seguem sendo indispensáveis para empresas e consumidores.

Essa característica ajudou a companhia a atravessar períodos de recessão mantendo geração de caixa, investimentos constantes e política de dividendos atrativa. O resultado foi um histórico de valorização consistente no longo prazo.

Weg (WEGE3)

A Weg é frequentemente citada como um dos maiores casos de sucesso da indústria brasileira no mercado de capitais. Com forte presença internacional, a empresa conseguiu reduzir sua dependência do ciclo econômico doméstico.

A estratégia de inovação, exportação e reinvestimento contínuo permitiu que a Weg crescesse mesmo quando o Brasil enfrentava crises profundas. Essa visão de longo prazo explica por que a ação nunca encerrou um ano em queda desde 2000.

Isa Energia (ISAE4)

A Isa Energia atua em um segmento considerado defensivo: transmissão de energia elétrica. Contratos de longo prazo e receitas previsíveis tornam o negócio menos sensível às oscilações econômicas.

Esse modelo garante estabilidade de caixa e previsibilidade de resultados, fatores que sustentaram o desempenho positivo da ação ao longo de diferentes ciclos econômicos, segundo o levantamento da XP.

Ultrapar (UGPA3)

A Ultrapar reúne negócios ligados à distribuição de combustíveis, gás e logística, áreas estratégicas para o funcionamento da economia. Mesmo em períodos de retração, esses serviços seguem sendo demandados.
A diversificação de operações e a gestão focada em eficiência ajudaram a companhia a atravessar crises sem comprometer o valor ao acionista, mantendo histórico positivo ao longo das últimas décadas.

Porto Seguro (PSSA3)

A Porto Seguro construiu sua trajetória com base em prudência, diversificação de produtos e forte relacionamento com clientes. O setor de seguros tende a apresentar menor volatilidade, especialmente quando bem gerido.

Essa combinação permitiu à Porto Seguro manter crescimento consistente, mesmo em momentos de instabilidade econômica, garantindo ao investidor um histórico sem prejuízos anuais.

Sanepar (SAPR11)

A Sanepar atua em um setor essencial e altamente regulado, o saneamento básico. A previsibilidade de receitas e a demanda constante pelos serviços criam um ambiente favorável à estabilidade financeira.

Mesmo sendo uma estatal, a Sanepar conseguiu manter disciplina operacional e geração de valor ao longo do tempo, figurando entre as poucas ações da B3 com histórico contínuo de valorização anual.

Conclusão

O levantamento da XP Investimentos reforça uma lição antiga, mas frequentemente ignorada pelo investidor brasileiro: o sucesso no mercado de ações está muito mais ligado à qualidade das empresas do que ao timing perfeito de entrada e saída. Bancos sólidos, empresas de infraestrutura, indústrias exportadoras e companhias de serviços essenciais tendem a atravessar crises com mais resiliência.

Embora rentabilidade passada não seja garantia de ganhos futuros, o histórico dessas dez ações mostra que fundamentos consistentes, boa governança e visão de longo prazo fazem diferença real no bolso do investidor. Em um país de ciclos instáveis, apostar em empresas que já provaram sua capacidade de sobreviver pode ser menos emocionante, mas costuma ser muito mais eficiente.

Rolar para cima