O Goldman Sachs avalia que o setor bancário da América Latina deve atravessar 2026 com desempenho sólido, após um ano de resultados robustos em 2025, com os bancos brasileiros ocupando posição de destaque.
Segundo o banco de investimentos, as instituições financeiras do Brasil combinam qualidade operacional, capacidade de adaptação a diferentes ciclos econômicos e negociações a valuations considerados razoáveis. Entre os nomes preferidos estão Itaú Unibanco, BTG Pactual, Banco Inter e Nubank, além do Nubank negociado por meio de BDR.
A análise indica que o crescimento do crédito no Brasil deve permanecer em patamar moderado a sólido, sustentado por um mercado de trabalho resiliente, estímulos fiscais e pela introdução de novas modalidades de financiamento, como o consignado privado.
Mesmo com a taxa Selic ainda em nível restritivo no início do período, a expectativa é de que a qualidade dos ativos do sistema financeiro permaneça relativamente estável, considerando a defasagem histórica entre movimentos dos juros e o comportamento da inadimplência.
O relatório também destaca que o setor precisará lidar com um ambiente marcado por ciclos eleitorais relevantes em diversos países da região, além de cortes graduais nas taxas de juros, com exceção da Colômbia. O crescimento econômico moderado e o avanço irregular da inflação compõem o cenário-base, mas não alteram, segundo o Goldman, a perspectiva de estabilidade para os bancos brasileiros ao longo de 2026.

No campo regulatório, a atenção permanece voltada à resolução da situação do Fundo Garantidor de Créditos após a liquidação do Banco Master, bem como ao avanço da agenda de inovação financeira. A portabilidade de crédito dentro do Open Finance é apontada como um dos fatores com potencial para estimular a concorrência e melhorar a eficiência do sistema.
O banco também avalia que estímulos fiscais devem contribuir para o aumento da renda das famílias e para a expansão do crédito à medida que o país se aproxima das eleições gerais no segundo semestre de 2026.
Para o próximo ano, o Goldman Sachs projeta crescimento do crédito próximo a 9,5% em termos anuais, com riscos moderados para a inadimplência. Embora seja esperado um aumento marginal dos níveis de créditos inadimplentes, há sinais de estabilização, mesmo diante do elevado endividamento das famílias. A avaliação é de que o sistema financeiro inicia o ano em condição relativamente equilibrada, conciliando expansão da carteira com controle de riscos.
Em relação ao Banco do Brasil, o Goldman manteve recomendação neutra e elevou o preço-alvo para R$ 22. O banco de investimentos destaca que o cenário para 2026 segue cercado de incertezas, especialmente no crédito rural. A inadimplência do segmento avançou de forma significativa ao longo de 2025, aumentando o risco de maiores provisões.
A carteira rural renegociada soma cerca de R$ 73 bilhões, o que representa parcela relevante do crédito total da instituição. Embora a Medida Provisória voltada à renegociação de dívidas rurais possa trazer algum alívio, ainda há dúvidas quanto à efetividade dessas medidas na recuperação dos créditos. Para 2026, a projeção é de crescimento de lucro de 35%, após forte retração em 2025, com retorno sobre patrimônio estimado em 12,9%, apesar de o desconto de valuation não ser visto como algo a ser revertido no curto prazo.
No caso do Bradesco, a recomendação também foi mantida como neutra, com preço-alvo elevado para R$ 19. O Goldman avalia que o adiamento do ciclo de cortes de juros pode retardar a recuperação do crédito no varejo, segmento no qual o banco tem maior exposição.
Por outro lado, a expansão da faixa de isenção do Imposto de Renda pode estimular o consumo no início do ano. A carteira de crédito deve crescer em patamar de um dígito alto em 2026, com redução dos riscos de deterioração da qualidade dos ativos, refletindo maior participação de operações com garantias. O principal ponto de atenção segue sendo o nível de capital, com índice CET1 próximo ao piso operacional.
Para o Itaú Unibanco, o Goldman reiterou recomendação de compra, destacando a capacidade do banco de atravessar diferentes ciclos econômicos apoiado em sua liderança em segmentos mais resilientes, como alta renda, private banking e investment banking.
O relatório ressalta ainda a habilidade da instituição em responder à concorrência por meio de iniciativas estratégicas e investimentos em plataformas digitais. A projeção é de retorno sobre patrimônio de 26% em 2026, com dividend yield estimado em 8%. O preço-alvo foi elevado para R$ 46, indicando potencial de valorização mesmo com o papel negociando a múltiplos superiores aos de seus pares.
No caso do Santander Brasil, a recomendação de venda foi mantida. O Goldman projeta crescimento da carteira de crédito de 5,6% em 2026, abaixo da média do sistema financeiro. A postura mais conservadora na concessão de crédito limita os riscos de inadimplência, mas também restringe a expansão das receitas.
O lucro deve crescer cerca de 10% no ano, com retorno sobre patrimônio estimado em 17,2%, ainda distante da meta estabelecida pelo banco. O preço-alvo foi elevado para R$ 29, mas sem alteração na avaliação negativa.
Para o Banco Inter, a recomendação de compra foi mantida, apesar de um corte na estimativa de lucro para 2026, que passou para R$ 1,9 bilhão. O Goldman projeta crescimento expressivo da carteira de crédito, impulsionado por cartões, desconto de recebíveis e, principalmente, pelo consignado privado.
Mesmo com custo de risco ainda elevado, a expectativa é de forte expansão dos lucros nos próximos anos, levando o retorno sobre patrimônio para 17,1% em 2026 e 19,3% em 2027. O preço-alvo foi elevado para R$ 11,50.
O BTG Pactual segue entre os principais destaques do relatório, com recomendação de compra mantida e estimativas de lucro revisadas para cima.
O Goldman projeta lucro de R$ 19,4 bilhões em 2026, sustentado pelo crescimento das receitas recorrentes, especialmente nas áreas de crédito corporativo e gestão de recursos. A projeção é de retorno sobre patrimônio acima de 26% em 2026 e 2027, com preço-alvo elevado para R$ 63.
Por fim, o Nubank também teve recomendação de compra reiterada. O Goldman avalia que, apesar das revisões positivas já incorporadas pelo mercado, ainda há espaço para novas surpresas operacionais.
A projeção é de crescimento expressivo do lucro por ação em 2026 e 2027, impulsionado pela expansão da margem financeira ajustada ao risco. O preço-alvo foi elevado para US$ 22, com o banco sendo negociado, segundo a avaliação, a múltiplos atrativos em comparação com fintechs globais.